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| Quero estar aos pés da tua Cruz |
Pe Elenivaldo M. dos Santos
Pois agora eu vou seduzi-la, levando-a para o deserto e falando-lhe ao coração. (Oséias 2, 16)Chegou o tempo da Quaresma. Tempo do “retirar-se” de entrar na intimidade do quarto para escutar o que Deus quer falar.
O texto bíblico que citei é tirado do profeta Oséias. Vale dizer que o contexto é a vida do próprio profeta. De fato Oséias compara o amor que Deus tem por seu Povo ao amor de um marido por sua esposa. Neste caso, uma experiência que o próprio profeta viveu com sua esposa adúltera.
O recado é claro. Após a traição da esposa (o Povo de Israel), o Esposo não desiste e vai atrás, quer reatar a união outrora perdida. Mas antes é preciso seduzi-la, reconquistá-la. Para onde levar? Que ambiente pode ajudar neste propósito?
A referência ao deserto dá-se devido ao fato de que foi lá, no tempo de Moisés, durante aqueles inesquecíveis quarenta anos que o Senhor “forjou” para si esta nação. O Senhor fez com ela uma aliança no Monte Sinai e cuidou desta nação-esposa. Ali ela fora seduzida, protegida e amada.
Mas a infidelidade é uma dura realidade e Deus não escapou da traição. Sua amada o traiu, praticou adultério com “outros deuses”. Ele desistiu? Claro que não. Vai reconquistá-la.
Parece que o recado é este: a Igreja é hoje convidada por seu Divino Esposo a ir para o deserto, passar com Ele estes quarenta dias (Quaresma) e com Ele redescobrir sua vocação para o Eterno Amor. Deve recordar a Aliança firmada na Cruz. A nova e eterna Aliança.
Quem é a Igreja? São todos os batizados! Com que disposição tenho feito as coisas para o Divino Esposo? Como membro da Igreja me considero uma pessoa que cultiva a fidelidade, a união íntima, a vida de oração, o olhar misericordioso pousado sobre as pessoas e situações?
Muita gente reclama que não consegue rezar. Pra mim isso é falta de cultivo do amor. A aridez do deserto também pode significar a oportunidade para que o Senhor nos seduza mais uma vez e nos “fale ao coração”.
Portanto, nesta Quaresma, viva sem comodismo, revanchismo, azedume e outras tantas dispersões que possam te levar para longe do Divino Esposo de tua alma.
Não perca tempo achando que sua obra está pronta, acabada e que você está pronto e formado. Isso pode ser uma armadilha de satanás para te afastar do cultivo desse eterno enamorar-se Daquele que nos seduziu e conquistou um dia.
“Não podemos conformar-nos com o que fazemos no nosso serviço a Deus, como um artista não fica satisfeito com o quadro ou a estátua que sai das suas mãos. Todos lhe dizem: - É uma maravilha. Mas ele pensa: - Não, não é isto; eu queria mais. Assim devíamos reagir nós.
Além disso, o Senhor dá-nos muito, tem direito à nossa mais plena correspondência... e é preciso ir ao seu passo.” (Forja n. 285 – S. Josemaria Escrivá)
Deus abençoe e santa Quaresma.
Pe Elenivaldo